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Controlo de espécies invasoras em Portugal

Sabias que o controlo de plantas exóticas invasoras é uma das ações mais importantes para conservar a biodiversidade em Portugal?


O crescente aumento das plantas invasoras representa uma constante ameaça para os nossos ecossistemas. O seu controlo e gestão é cada vez mais importante para conseguirmos preservar a biodiversidade e manter a integridade das espécies nativas.


O que são espécies exóticas invasoras?


Espécies exóticas invasoras são organismos vivos que foram introduzidos numa nova região fora da sua área de distribuição natural normalmente por meio de atividades humanas, como comércio, transporte e turismo.


Uma vez introduzidas, essas espécies podem-se estabelecer e multiplicar descontroladamente, competindo com as espécies nativas por recursos como água, nutrientes e luz solar, muitas vezes sem predadores naturais para controlar o seu crescimento e proliferação. Isto leva a uma perda de biodiversidade, pois as espécies invasoras podem suplantar as espécies nativas e até mesmo levar à sua extinção naquele local.


Consequentemente as espécies exóticas invasoras acabam também por causar impactos negativos na economia, na paisagem (exemplo é  a acácia-de-espigas (Acacia longifolia)), e até mesmo na saúde humana, através de alergias e irritações (exemplo com a ambrósia (Ambrosia artemisiifolia)).


Em Portugal, contamos com a Legislação nacional (Decreto-Lei nº 92/2019), que estabelece regras para impedir, minimizar e atenuar os impactos adversos na biodiversidade da introdução e propagação, de forma intencional e não intencional, de espécies exóticas invasoras


Quais são as características que fazem a espécie ser considerada invasora?

Estas espécies de plantas exóticas são consideradas invasoras porque têm a capacidade de se espalhar e causar danos significativos ao ambiente e às espécies nativas.


Algumas características que definem estas espécies:


1. Tolerância a diferentes condições ambientais: As espécies invasoras geralmente têm uma ampla tolerância a diferentes condições ambientais, como clima, solo e disponibilidade de água, o que lhes permite estabelecer-se numa variedade de habitats.


2. Crescimento rápido e alta produtividade: Muitas espécies invasoras têm um crescimento rápido, o que lhes permite competir com as espécies nativas por recursos como luz solar, nutrientes e água.


3. Capacidade de se reproduzirem rapidamente: As espécies invasoras muitas vezes têm um alto potencial reprodutivo e são capazes de se reproduzir rapidamente, o que lhes permite multiplicarem-se descontroladamente num novo ambiente e de uma forma muito célere. A reprodução assexuada é uma das estratégias mais comummente empregues nestas espécies, como é o caso de plantas invasoras que se estabelecem a partir de fragmentos soltos (reprodução vegetativa).


4. Ausência de inimigos naturais: As espécies invasoras muitas vezes são introduzidas em novos habitats sem inimigos naturais, como predadores, parasitas ou patógeneos, o que lhes permite proliferarem sem nenhum controlo biológico ou natural.


5. Habilidade de dispersão: As espécies invasoras podem ser capazes de se dispersar facilmente através de diferentes mecanismos, como o vento, água, animais ou por meio de atividades humanas, como o transporte de mercadorias.


6. Composição química: Várias destas espécies contêm, na sua composição, substâncias tóxicas nocivas que impedem o seu consumo ou uso por parte das espécies autóctones. Para além disso, há ainda organismos com propriedades alelopáticas, isto é, que produzem compostos que alteram as condições à sua volta e podem limitar a presença de outras espécies naquele espaço, impedindo o seu crescimento ou sobrevivência. 


Embora estas características possam aumentar o potencial invasor de uma espécie, não são garantia de que uma espécie será invasora num novo ambiente, e muitas espécies exóticas introduzidas não se tornam invasoras. Para uma espécie ser classificada invasora é necessário estudar e monitorizar vários fatores, incluindo as condições ambientais e as interações com as espécies nativas.

Como é que estas espécies são introduzidas em Portugal?


As espécies de plantas exóticas invasoras podem chegar a Portugal de várias maneiras. Algumas são introduzidas intencionalmente, como por exemplo, plantas ornamentais como o jacinto-d'água (Eichhornia crassipes) ou espécies agrícolas e florestais como o eucalipto (Eucalyptus globulus).


Algumas espécies podem ser trazidas por turistas na forma de sementes, plantas ornamentais ou frutos, que acabam por ser descartadas em ambientes naturais e começar a se espalhar.


As mudanças climáticas também têm um papel na proliferação destas espécies pois devido às alterações das condições ambientais podem tornar algumas áreas mais propícias ao estabelecimento e crescimento de espécies invasoras.

Como é feito o seu controlo?

O controlo de espécies de plantas exóticas invasoras pode ser um processo desafiante e muitas vezes requer uma abordagem integrada que combina várias estratégias. É um processo importante do restauro ecológico e está até enquadrado no ODS 15 - Proteger a Vida Terrestre da ONU. Algumas das estratégias de controlo comuns incluem:

controlo manual espécie invasora
controlo manual espécie invasora

  1. Controlo manual: Envolve a remoção manual das plantas invasoras. Pode ser feito por meio de escavação, corte ou arranque das plantas. No caso de plantas que se reproduzem vegetativamente, toda a planta deverá ser removida e adequadamente descartada. Este método de controlo é mais eficaz quando as infestações são pequenas.

  2. Controlo químico: O controlo químico envolve o uso de herbicidas para matar as plantas invasoras, e pode ser aplicado diretamente na planta. Pode ser eficaz em grandes infestações ou quando o controlo manual não é prático. No entanto, o uso de herbicidas pode ter impactos negativos na saúde humana e no meio ambiente, afetando outras espécies nativas nas áreas envolventes.

  3. Controlo biológico: O controlo biológico envolve a introdução de agentes biológicos, como insetos, fungos, bactérias ou vírus, que atacam especificamente as plantas invasoras. Esta abordagem pode ser eficaz a largo prazo e é considerada uma solução mais segura para o meio ambiente do que o controlo químico. No entanto, requer estudos extensos acerca dos possíveis impactos que a introdução de uma nova espécie pode ter nas espécies autóctones.

  4. Prevenção: A prevenção é a melhor estratégia para controlar as espécies invasoras. Isso inclui medidas como o controlo de mercadorias nas fronteiras, inspeção de navios e bagagens, conscientização pública e monitoramento regular de áreas suscetíveis à invasão.

Cada abordagem tem as suas vantagens e desvantagens e a escolha da estratégia de controlo dependerá do tipo de espécie invasora, a área afetada e a disponibilidade de recursos.


Além disso, é importante que a comunidade local esteja envolvida no processo de controlo.


A conscientização e a participação da comunidade são fundamentais para o sucesso a longo prazo, pois a deteção precoce e a remoção rápida das plantas invasoras é crucial para evitar que se estabeleçam em novas áreas.

A VERDE e o controlo de espécies invasoras


Estas ações de restauro ecológico, são o primeiro passo para conseguirmos cuidar do nosso território e posteriormente plantar árvores nativas que possam crescer e sequestrar carbono enquanto potenciam a biodiversidade local.


Os cidadãos também têm um papel relevante não só na prevenção das invasões biológicas, mas também na mitigação dos seus impactos. No entanto, esta temática continua a ser desconhecida para muitas pessoas sendo a componente educativa sobre as espécies invasoras um ponto central das ações de restauro ecológico.


Sendo um dos principais problemas à sobrevivência e cuidado das Gigantes Verdes, o Projeto Carbono Biodiverso financia ações de controlo de invasoras como complemento à preservação das Gigantes Verdes e tem como objetivo a longo prazo, incentivar os seus proprietários a preservar e investir no restauro e plantação de espaços de imenso valor ecológico, promovendo assim um impacto social nas comunidades de Lousada e adjacentes.


REFERÊNCIAS:

National Wildlife Federation. (n.d.). Invasive Species. Retrieved May 11, 2023, from https://www.nwf.org/Educational-Resources/Wildlife-Guide/Threats-to-Wildlife/Invasive-Species

Invasoras - Espécies Invasoras em Portugal. (n.d.). Retrieved May 12, 2023, from https://invasoras.pt/pt/o-que-s%C3%A3o-plantas-invasoras

Invasoras.pt. (n.d.). O que são plantas invasoras? Invasoras.pt. Retrieved May 12, 2023, from https://invasoras.pt/pt/o-que-s%C3%A3o-plantas-invasoras

Wikipedia contributors. (2023, May 12). Ambrosia artemisiifolia. In Wikipedia. Retrieved May 12, 2023, from https://pt.wikipedia.org/wiki/Ambrosia_artemisiifolia

Invasoras.pt. (n.d.). Plantas Exóticas. Invasoras.pt. Retrieved May 12, 2023, from https://www.invasoras.pt/pt/plantas-ex%C3%B3ticas

Invasoras.pt. (n.d.). Métodos de Controlo. Invasoras.pt. Retrieved May 12, 2023, from https://www.invasoras.pt/pt/metodos-de-controlo

Silva, J. P., Rodríguez-Echeverría, S., Marchante, E., & Freitas, H. (2021). Acacia invasion facilitated by landscape permeability in Portuguese cork oak montados. Vegetation Science Blog. https://vegsciblog.org/2021/03/07/acacia-invasion-facilitated-by-landscape-permeability-portuguese/


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