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Florestas Biodiversas: O Valor das Florestas Antigas

O Dia Mundial da Terra é uma comemoração que mobiliza pessoas de todo o mundo para avaliar e discutir soluções para questões ecológicas, realçando a nossa responsabilidade coletiva de proteger o meio ambiente. Neste dia, queríamos aproveitar para falar sobre as nossas florestas e como cuidar delas para que prosperem.




Quais as diferenças entre florestas primárias e secundárias?


As florestas podem se distinguir entre primárias (caracterizadas por apresentarem árvores antigas e outros elementos naturais de elevado valor ecológico, onde a intervenção humana é mínima ou inexistente, seguindo a sucessão natural do espaço) e secundárias (são resultado de algum tipo de ação humana que dita valor ecológico da floresta, consoante a gestão adotada). Embora ambas possam ser importantes para a conservação, diferem grandemente na sua participação no ciclo do carbono: o sequestro anual absoluto de carbono é mais elevado durante o crescimento da floresta secundária, mas as florestas primárias contém mais carbono armazenado na biomassa das árvores vivas e mortas, tal como incorporado no solo. 


As maiores extensões de floresta primária intacta encontram-se em regiões boreais e tropicais, e apenas no Brasil, na Rússia e na República Democrática do Congo estimam-se haver 384 mil milhões de toneladas de equivalentes de CO2 armazenados. 


Em contraste com as grandes florestas primárias tropicais e boreais, a paisagem europeia é dominada por um mosaico de florestas secundárias temperadas. Após uma longa história de extração de recursos e construção de infraestruturas para acomodar as elevadas densidades populacionais, poucas florestas primárias permanecem, inclusive em Portugal.


Como tal, embora ações de reflorestação sejam essenciais para recuperar espaços florestais degradados, a conservação das florestas existentes é prioritária. 

A desflorestação leva a disrupções nos padrões habituais de precipitação, ao aumento da frequência e intensidade de incêndios e cheias, e afeta o solo a largo prazo – tem impactos na sua capacidade de retenção e infiltração de água, deixa-o mais propenso à erosão e perturba os ciclos do carbono e outros nutrientes.

Para além disso, a fragmentação e destruição de habitats leva não só à perda de biodiversidade, como do património genético que confere resiliência ao sistema. Em muitos casos, certas manchas florestais são o único habitat restante das espécies que as povoam, e a perda de uma área significativa pode resultar numa cascata de consequências negativas para o resto da paisagem, colocando em risco a provisão dos serviços de ecossistema dos quais dependemos.




Quais os principais desafios para conservação destas florestas?


Atualmente, cerca de um terço da área terrestre do planeta é usada para a agricultura. Desde 1990, perderam-se 80 milhões de hectares de floresta primária e a expansão agrícola é a principal causa de desflorestação, auxiliada pela construção de infraestruturas e pela extração de madeira.


As taxas de desflorestação atuais são produto da interação de vários fatores socioeconómicos que incluem pressões de um mercado global, industrialização, e subsídios que incentivam a exploração florestal e agrícola.


A degradação destes espaços pode piorar a situação económica de populações vulneráveis que dependem de recursos florestais para a sua subsistência. Muitas vezes, a ajuda externa de instituições como o FMI ou a Comissão Europeia requer que o país recipiente dos fundos aceite maior investimento de empresas privadas multinacionais, aumentando a extração de recursos regionais. Para além disso, as políticas de concessão a curto-prazo de bens públicos a privados levam frequentemente a uma extração insustentável de recursos.



Qual o papel dos proprietários privados na gestão da biodiversidade florestal?


A criação de áreas protegidas não basta – são necessários melhores planos de gestão florestal, informados por princípios ecológicos e pelas necessidades das comunidades humanas que fazem uso dos recursos de forma sustentável.  Na Europa, os proprietários privados possuem cerca de metade da área florestal. Em Portugal este valor eleva-se para cerca de 90%. É fundamental permitir e incentivar um maior envolvimento dos mesmos nas discussões acerca de medidas de gestão e conservação, levando à troca de conhecimento e a uma maior cooperação entre setores.


A biodiversidade destes espaços deve ser reconhecida, valorada e valorizada, e a sua gestão pode em parte ser promovida através de incentivos financeiros originários de instrumentos como os mercados de carbono, principalmente se adotarem índices de risco que permitem a alocação de fundos onde são mais prioritários. No entanto, uma vez que cada proprietário tem necessidades e obstáculos distintos, é importante identificar onde requerem apoio – seja no acesso a informação legal e técnica, a mão de obra, a financiamento, ou a equipamento – e adaptar estes programas de incentivos para os ajudar na concretização dos seus objetivos. Isto requer que se estabeleçam relações de confiança e respeito mútuo entre as diferentes partes envolvidas.



Quais as principais estratégias para aumentar a resiliência das florestas?


Enquanto espaços cujos processos ecológicos decorrem sem grande envolvimento humano, as florestas primárias podem servir de referência para guiar ações de restauro. Podemos começar por adotar estratégias como:

  • a retenção de madeira morta e de árvores de grande porte, como as nossas Gigantes Verdes;

  • o uso de espécies locais, principalmente através da promoção de regeneração natural;

  • a criação de plantações florestais com várias idades;

  • adoção de ciclos de corte mais longos e seletivos, evitando o corte raso de uma área contínua;

Cada uma destas pode ajudar a reduzir os impactos na biodiversidade não só em florestas secundárias onde o foco é a produção e extração de recursos, mas também em zonas agrícolas ou urbanas, contribuindo para uma maior resiliência destes ecossistemas e da paisagem que integram.


Ainda que seja um processo demorado, o restauro e reflorestação de terrenos agrícolas degradados pode ainda aumentar a conectividade entre habitats fragmentados e permitir trocas genéticas entre diferentes populações, ou até sustentar espécies que requerem maiores áreas de habitat ininterrupto para prosperar. Em espaço urbano, as árvores têm também um papel chave nas cadeias ecológicas, devendo também ser valorizadas por isso, além dos restantes benefícios que trazem às populações.



O Papel da VERDE na gestão da biodiversidade florestal


Na VERDE integramos estas estratégias em territórios onde a ação humana é elevada, implementando o Carbono Biodiverso como um mecanismo de incentivo a proprietários pela preservação das suas Gigantes Verdes e restauro das suas propriedades, onde retemos madeira morta, potenciamos a regeneração natural e controlamos os riscos existentes, provenientes da expansão de espécies exóticas invasoras ou pelo controlo de vegetação infestante. Gerimos assim o território, com os seus agentes, em prol do bem de todos, compensando pelas receitas perdidas que poderiam vir da venda da madeira ou da alteração do uso do solo que cada um é proprietário.


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